{"id":10273,"date":"2026-05-13T01:40:40","date_gmt":"2026-05-13T01:40:40","guid":{"rendered":"https:\/\/diagonal.social\/?p=10273"},"modified":"2026-05-13T01:44:42","modified_gmt":"2026-05-13T01:44:42","slug":"para-quem-as-cidades-estao-sendo-projetadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diagonal.social\/en\/para-quem-as-cidades-estao-sendo-projetadas\/","title":{"rendered":"Para quem as cidades est\u00e3o sendo projetadas?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10274\" srcset=\"https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1-768x511.jpeg 768w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1-18x12.jpeg 18w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1.jpeg 1218w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>As cidades s\u00e3o resultado direto das escolhas que fazemos enquanto sociedade. Mais do que sua estrutura f\u00edsica, elas moldam o acesso a oportunidades como moradia, mobilidade, emprego e servi\u00e7os o que evidencia as desigualdades. Nesse sentido, a pergunta \u201cPara quem as cidades est\u00e3o sendo projetadas?\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas um exerc\u00edcio te\u00f3rico, mas um ponto de partida para orientar pr\u00e1ticas mais respons\u00e1veis no planejamento urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, o planejamento urbano tem sido orientado por interesses econ\u00f4micos e funcionais, priorizando a circula\u00e7\u00e3o, a infraestrutura e a expans\u00e3o das cidades. No entanto, esses mesmos elementos frequentemente s\u00e3o mobilizados como instrumentos de valoriza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, atendendo a din\u00e2micas de mercado e \u00e0 l\u00f3gica da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Nesse processo, a dimens\u00e3o humana e social do espa\u00e7o urbano acaba sendo colocada em segundo plano, o que contribui para o aprofundamento das desigualdades socioespaciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, entretanto, tem se consolidado uma mudan\u00e7a de padr\u00e3o. Autores como Jane Jacobs e Jan Gehl, refer\u00eancias no pensamento human\u00edstico na arquitetura, destacam que a import\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o da escala humana, da diversidade de usos e da qualifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos t\u00eam orientado interven\u00e7\u00f5es mais condizentes com din\u00e2micas reais dos territ\u00f3rios. Essa abordagem reconhece que cidades mais inclusivas e seguras s\u00e3o aquelas que consideram o coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, esse desafio se torna ainda mais complexo. A rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas formais e assentamentos informais, junto \u00e0s desigualdades hist\u00f3ricas no acesso \u00e0 infraestrutura e aos servi\u00e7os urbanos, pede solu\u00e7\u00f5es integradas e adequadas \u00e0s realidades locais. \u00c9 nesse contexto que a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria urbana e a urbaniza\u00e7\u00e3o de assentamentos, respaldadas pelas legisla\u00e7\u00f5es municipais e federais, assumem um papel estrat\u00e9gico na constru\u00e7\u00e3o de cidades mais justas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, a atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica precisa ir al\u00e9m do desenho urbano. Envolve escuta qualificada, leitura territorial e articula\u00e7\u00e3o entre diferentes agentes, como, por exemplo, poder p\u00fablico, iniciativa privada e comunidade. Mais do que propor solu\u00e7\u00f5es formais, trata-se de construir respostas vi\u00e1veis que conciliem inclus\u00e3o social, seguran\u00e7a jur\u00eddica e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Projetar cidades para as pessoas, portanto, implica assumir um compromisso efetivo com o interesse coletivo, n\u00e3o apenas pelo Poder P\u00fablico, mas por todos os agentes executores das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas, em especial, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Por Mayara Gamba<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arquiteta e Urbanista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" src=\"https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1024x577.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10275\" srcset=\"https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-1024x577.png 1024w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-300x169.png 300w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-768x433.png 768w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-18x10.png 18w, https:\/\/diagonal.social\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image.png 1298w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A pergunta que orienta esta reflex\u00e3o exp\u00f5e uma contradi\u00e7\u00e3o central das cidades contempor\u00e2neas: enquanto o planejamento urbano avan\u00e7a em normas, instrumentos e tecnologias, uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o ainda vivencia a cidade a partir da precariedade, da informalidade e da exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, esse descompasso resulta de um processo hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o desigual do espa\u00e7o urbano, no qual o acesso \u00e0 moradia, \u00e0 infraestrutura e aos servi\u00e7os se deu de forma seletiva, consolidando territ\u00f3rios \u00e0 margem da cidade formal e evidenciando que o planejamento urbano est\u00e1 longe de ser neutro.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, esse descompasso resulta de um<strong><em> processo hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o desigual do espa\u00e7o urbano \u2014 marcado pela distribui\u00e7\u00e3o desigual de acesso \u00e0 moradia, \u00e0 infraestrutura e aos servi\u00e7os <\/em><\/strong>consolidando territ\u00f3rios \u00e0 margem da cidade formal e evidenciando que o planejamento urbano est\u00e1 longe de ser neutro.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade de S\u00e3o Paulo expressa esse cen\u00e1rio: \u00e1reas valorizadas coexistem com territ\u00f3rios vulner\u00e1veis, muitas vezes em \u00e1reas ambientalmente sens\u00edveis e com acesso prec\u00e1rio \u00e0 infraestrutura. Esse quadro revela os limites de um planejamento centrado em par\u00e2metros t\u00e9cnicos, pouco aderente \u00e0 complexidade da cidade real e \u00e0s din\u00e2micas que estruturam o cotidiano dos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica das interven\u00e7\u00f5es, essa dist\u00e2ncia se materializa de forma concreta: projetos concebidos de maneira homog\u00eanea encontram territ\u00f3rios din\u00e2micos, marcados por trajet\u00f3rias e estrat\u00e9gias pr\u00f3prias, que desafiam solu\u00e7\u00f5es padronizadas e exigem leitura territorial qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o urbanismo social se apresenta como uma mudan\u00e7a necess\u00e1ria ao reposicionar o cidad\u00e3o no centro da transforma\u00e7\u00e3o urbana. O territ\u00f3rio deixa de ser apenas suporte f\u00edsico e passa a ser reconhecido como espa\u00e7o vivido, resultado das rela\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A infraestrutura, por sua vez, deixa de ser apenas t\u00e9cnica e passa a se afirmar como fator de inclus\u00e3o ou exclus\u00e3o. O acesso desigual a saneamento, mobilidade e equipamentos p\u00fablicos evidencia que a cidade reflete escolhas e s\u00e3o elas que definem quem participa da vida urbana e quem permanece \u00e0 margem.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, a qualifica\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios exige abordagens integradas. No \u00e2mbito das interven\u00e7\u00f5es urbanas, o Trabalho Social se apresenta como elemento fundamental na media\u00e7\u00e3o entre planejamento e territ\u00f3rio, incorporando din\u00e2micas locais e contribuindo para solu\u00e7\u00f5es mais aderentes \u00e0s realidades vividas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, essa atua\u00e7\u00e3o evidencia a import\u00e2ncia de uma leitura territorial integrada, na qual as especificidades do Trabalho Social e do Urbanismo se articulam a partir do territ\u00f3rio, sem perder suas autonomias, mas orientadas por um objetivo comum: promover inclus\u00e3o e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em escala mais ampla, essa l\u00f3gica de articula\u00e7\u00e3o se amplia no \u00e2mbito das pol\u00edticas p\u00fablicas, onde a intersetorialidade n\u00e3o \u00e9 complementar, mas condi\u00e7\u00e3o para sua efetividade. A fragmenta\u00e7\u00e3o limita resultados; a integra\u00e7\u00e3o amplia a capacidade de resposta frente \u00e0s diferentes dimens\u00f5es da vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a resposta se torna clara: as cidades ainda s\u00e3o, em grande medida, projetadas para poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Reverter essa l\u00f3gica implica reconhecer o territ\u00f3rio como espa\u00e7o de vida e orientar o planejamento urbano a partir das necessidades reais da popula\u00e7\u00e3o, promovendo cidades mais inclusivas e com melhor qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Cristiane de C. Fernandez Soncin<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arquiteta e Urbanista<\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cidades s\u00e3o resultado direto das escolhas que fazemos enquanto sociedade. Mais do que sua estrutura f\u00edsica, elas moldam o acesso a oportunidades como moradia, mobilidade, emprego e servi\u00e7os o que evidencia as desigualdades. 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